terça-feira, 19 de Agosto de 2014

Leitores: Sara Farinha


Para a nossa rubrica do blog, leitores, convidámos a blogger, leitora e autora Sara Farinha para responder às nossas perguntas. A Sara mostra as suas leituras no seu blog.

Que sentimentos procuras que um livro te deixe? 
Aquilo que procuro num livro que leio é que ele me leia também. Que transmita aquela sensação que conhece, compreende e acrescenta algo àquilo que penso, sou e sinto. Que cada história me proporcione os sentimentos nos quais foi gerada: Desejo, se escrita em desejo. Dor, se forjada em dor. Felicidade, se moldada em felicidade. 
Não procuro que os livros me tragam sentimentos avassaladores mas, alguns, fazem-no inadvertidamente. Procuro sim, que eles sejam uma imagem daquilo que é a realidade da natureza humana, em qualquer uma das suas facetas, e que acrescentem algo à forma como vejo e compreendo o mundo.
Na página final, e se o livro for tudo aquilo que almejei, saio dele um pouco mais rica. Repleta da sensação que não fui só eu que o li, mas que fui lida por ele também… E, suficientemente surpreendida com as ideias novas (e reorganizadas) que me proporcionou.

A leitura, para ti, é uma companhia, um escape, uma busca pelo mundo sem sair de casa ou tudo isto? 
A leitura é tudo isto. Uma companhia numa vida que (sempre) se vive só. Um escape para uma mente inquieta. Um experienciar do mundo entre as quatros paredes do cérebro (não de betão, porque leio em qualquer lado).
É uma forma de vida, de ser, experienciar o mundo e aprender. É algo que serve de barómetro para o meu estado de espírito. Quando me vejo impossibilitada de ler, se impedida por circunstância fico insatisfeita, se bloqueada por inquietação fico triste e preocupada.

Quando fores velhinho/a e já não vires bem as letras o que vais fazer à tua vida de leitor/a? 

Se chegar a velha com este mesmo vício (porque nunca podemos prever o futuro) suponho que compro uns óculos, faço cirurgia à vista, dedico-me aos audiolivros, ou qualquer outra estratégia que resolva a impossibilidade. E, isto é mais um exemplo da natureza humana a funcionar. Há sempre espaço para uma solução criativa quando, realmente, se ama a leitura.

segunda-feira, 18 de Agosto de 2014

Sudoeste: excerto 4

Excerto de Sudoeste:

"Entrei em casa como se os sete anos não tivessem passado. A entrada dava para a sala e vi-a num reboliço: objetos nossos partidos no chão. Passei para a cozinha e deparei com dois rapazes morenos, em idade de brincadeira, e uma rapariga loira, demasiado mulher para a idade. eram os meus filhos e eu não os conhecia.
Apesar da quinta estar igual aquando da minha partida, agora tudo era diferente.
Os rapazes olharam para mim sem me conhecerem, mas Ema, mais velha, recordava-se de mim e murmurou, de garganta cerrada.
- Pai.
Seguiu-se um silêncio feito do olhar sorridente que os rapazes lançavam um ao outro e a mim. Ema, de expressão dura, falou-me.
- Porque voltas tanto tempo depois? (...) Sai pela mesma porta que saíste há sete anos. Crescemos bem sem ti e ela deixou de te amar.
As palavras pareciam ter sido ensaiadas. A dureza era irreal. Ema? Onde estava a penina que tanto me amava e que tanto amei!"

segunda-feira, 4 de Agosto de 2014

Sudoeste: excerto 3

Excerto de Sudoeste:

"Dos olhos de Ema nasceram lágrimas que lhe turvaram o olhar de azul para cinza. E o azul que me restou foi apenas o do céu.
- O pai foi embora? Deixou-nos? Deixou-me?
Deixou-me. Não tinha sido só à quinta, ao mar, ao templo. Não tinha sido só a Ema e aos rapazes. Tinha-me deixado a mim também. E isso doía.
- Deixou. - Abaixei-me perto dela e limpei-lhe as lágrimas. Abracei-a e deixei-a soluçar no meu peito. Poderia eu esperar outra coisa dele?
Deixei as minhas lágrimas para noite, no meu leito vazio e frio, e acalmei durante todo o dia, tentando confortá-los do inconfortável e fazê-los compreender o incompreensível.
Agora, Ema voltava a ser a minha filha, como a criança que saíra das minhas entranhas de encontro às mãos de Eros. Tinha Ema só para mim. E os dois rapazes."

domingo, 3 de Agosto de 2014

Assuntos de Escrita - Filipa Fonseca Silva

Filipa Fonseca Silva é autora de Os 30 - Nada é como Sonhámos e de O Estranho Ano de Vanessa M.. Escreve no blog Crónicas de uma Fashion VictimAceitou gentilmente ser entrevistada para a nossa rubrica, Assuntos de Escrita.

1. “O Estranho Caso de Vanessa M.” já tinha sido editado na Amazon, tanto em português como na sua tradução para inglês. Como foi a receptividade do livro nessa altura? E agora?
Na altura foi muito bem recebido. Quer os leitores portugueses, quer os de língua inglesa , quer ainda bloggers da especialidade deixaram excelentes críticas no site da Amazon e em mensagens nas redes sociais. Este lançamento na versão papel pela Bertrand, que ainda é muito recente, também está a ser muito elogiado, o que me deixa muito feliz.

2. Já comentaste que a edição deste novo livro tem tudo a ver com a presença do teu livro anterior no Top 100 da Amazon. Também não é novidade o modo como chegaste lá. Mas como o vivenciaste pessoalmente e de que modo isso se relaciona com os teus objectivos/ expectativas em relação à escrita?
Foi um grande orgulho porque foi fruto de uma trabalho intenso ao longo de mais de um ano. Ainda por cima num ano que tive o meu primeiro filho (2012), com todas as transformações que isso implica. Foi muito recompensador e deixou-me com cada vez mais vontade de me dedicar a 100% à escrita. Financeiramente ainda não é uma opção, mas se os livros continuarem a ter sucesso, pode ser que o consiga a médio prazo. 

3.  Como é isso de ser publicitária, escritora e mãe de crianças pequenas?
É o caos! É abdicar de todas as horas de sofá, do ginásio, de fins-de-semana de passeio, das pausas para o café. Nos dias em que tenho algum tempo livre na agência, em vez de relaxar ou dar dois dedos de conversa com os colegas, como a maioria das pessoas faz, agarro no bloco de notas e começo a trabalhar nas ideias para livros ou no blog. À noite, depois dos miúdos estarem a dormir, a mesma coisa. Mas como se costuma dizer, quem corre por gosto não cansa.

4.  Há projectos na manga?
Sim, estou a trabalhar num livro de crónicas de deverá ser lançado no primeiro trimestre de 2015 e estou a começar a alinhavar ideias para ao terceiro livro.

5. És publicitária. A tua profissão relaciona-se, de algum modo, com a escrita?

Sim, acho que acaba por influenciar um estilo que os leitores têm caracterizado como muito visual e cinematográfico. Também é uma profissão que me obriga a criar mundos e personagens e a estar constantemente a escrever e a explorar na língua portuguesa.

sábado, 2 de Agosto de 2014

A Heroína e o Guerreiro by Ana C. Nunes

A Heroína e o GuerreiroA Heroína e o Guerreiro by Ana C. Nunes
My rating: 4 of 5 stars

Palavra principal do texto: humor.
A Ana soube aplicar o cliché para criar humor e deu um grande resultado! Fartei-me de rir.
O humor funciona muito bem com a deturpação do conhecido, mas atenção! Escrever humor não é nada fácil!
Reparei em influências "manga", o que dá um resultado engraçado e texto narrativo.

View all my reviews

sexta-feira, 1 de Agosto de 2014

As leituras do escritor




Nem sempre nos melhores livros o escritor pode encontrar material de inspiração que o ajude a construir o background das suas histórias.

Primeiro há que dizer que o escritor perde aos poucos o prazer da leitura. Não só porque ganha a capacidade de destrinçar a história, mas também porque muitas das vezes procuramos os livros para os compreender.
Podemos dizer que há dois tipos de material: o bonitinho e o não bonitinho. O bonitinho é normalmente uma narrativa bem construída, com tudo no lugar, de influência oitocentista. O não bonitinho (atenção que não é feio) é material com muitas influências dos ismos do séc. XX, do noveau-roman francês e da desconstrução anglo-saxónica. Sem dúvida que estes dois tipos de materiais podem trazer prazer ao leitor, consoante o seu gosto. O escritor tentará sempre ver o que está por detrás da tela.
Nestes dois tipos de material podemos encontrar o mal escrito e o bem escrito. O mal escrito pode ter vários problemas, e são raros os casos exemplos de todos os males. os "males" podem ser infinitos, desde personagens mal criadas, estrutura mal feita, uma linguagem pobre e sucessivos erros de construção gramatical.

O interessante é que o escritor pode encontrar, mesmo num texto desses, material para explorar.
Falo em termos pessoais. Tenho encontrado livros com pouca qualidade que souberam ser um registo histórico que me interessa aprofundar para trabalhos meus. Um registo histórico em ficção, claro, mas que são representação de acontecimentos passados entre várias gerações, na perspectiva da vivência do cidadão sem riqueza, sem estudos. Material que não encontro em livros de história ou em romances históricos ou de época em que predomina a representação da nobreza e da burguesia.
Os mistérios da criatividade são impressionantes...

quinta-feira, 31 de Julho de 2014

Assuntos de Escrita - Entrevista com Carla M. Soares

Carla M. Soares é autora de Alma Rebelde e A Chama ao Vento. Escreve no blog Monster Blues. Aceitou gentilmente ser entrevistada para a nossa rubrica, Assuntos de Escrita.

1. Depois de um livro editado em papel, a edição de "A Chama ao Vento" em ebook é uma aventura e uma nova experiência. Como estás a vivenciar a situação?

Apostar no ebook depois de ter publicado em papel é sem dúvida uma aventura e uma nova experiência. Há cada vez mais gente a ler em ebook, o futuro passará sem dúvida por eles, não em substituição, mas a par do livro físico. Este livro, no panorâma dos ebooks da wook, onde é vendido, está a sair-se muito bem, esteve muito tempo nos tops e está muitíssimo bem colocado entre os ebooks de literatura. Isso não significa que seja uma opção simples porque, embora eu também leia bastante em ebook há já muito tempo e goste, como autora sinto falta do objecto que posso tocar, pode ser contemplado na livraria, assinado, oferecido, folheado, colocado na estante, sensação que já conheço e é incomparável. No entanto, acredito no projecto e estou certa de que, com o tempo, esta será uma fantástica aposta para leitores, editora e novos escritores.

2. Já passou algum tempo da edição de "Alma Rebelde". Continuas a receber feedback do livro? A edição de "A Chama ao Vento" trouxe novos leitores ao livro anterior?

Embora não possa estar certa disso, creio que sim, a publicação deste novo livro trouxe alguns leitores ao Alma, que é um livro já com mais de dois anos. Há algum tempo que não tinha feedback, e desde que o Chama saiu, tive mais algumas opiniões em blogues. Claro que ser livro do dia na Feira do Livro – nesse dia foram comprados todos os exemplares que a PE tinha levado – também terá conduzido a novos leitores, mas desses provavelmente não receberei opiniões... o que é pena. O livro continua, felizmente, a agradar, é o que vejo na generalidade das opiniões. Isso deixa-me contente.

3. És, de certo modo, presente nas redes sociais e comunicas muito com os teus leitores. Que vantagens/ desvantagens esta situação de trás?

Não sou, por natureza, uma pessoa que goste de se expôr, mas as redes sociais oferecem uma espécie de véu através do qual é muito mais fácil ser comunicativa. Acho importante alguma acessibilidade dos autores, que são, afinal, gente como os outros, vão ao supermercado e tudo, antes de se fecharem na sua torre de marfim para escrever dias a fio sem comer nem beber, porque se alimentam apenas de si próprios e de letras e belas imagens, ehehehe. A desvantagem é mesmo essa, estar mais exposta, e portanto ter todo o feedback ali mesmo, incluindo o negativo. Tenho ouvido algumas coisas de que não gostei, sobretudo no que diz respeito à publicação em ebook, de pessoas que até nem leram o livro. Outra desvantagem que me ocorre, mas não faz sentido, é ser levada menos a sério por causa da acessibilidade – a mania que o português tem de que quem é bom tem que estar na tal torre, ser até um nadinha arrogante. Felizmente há hoje muitos autores já reconhecidos que não pensam assim. A desvantagem é também uma vantagem – recebo muito feedback positivo, de forma muito imediata, e algum carinho e incentivo de quem tem gostado de me ler, muito importante quando se perde a força nesta batalha.

4. És professora de Português e de Inglês. A tua profissão relaciona-se, de algum modo, com a escrita?

Ter optado por essa formação, que incide em grande parte na literatura e cultura em ambas as línguas, mostra que houve sempre um amor à escrita, mas no dia a dia, o que a minha profissão faz é roubar-me quase todo o tempo que gostaria de dedicar à escrita ou à pesquisa, por vezes até ao fim de semana...

5. E, por fim, podes dar algum vislumbre sobre outros projectos?

Tenho um livro pronto... isto é, falta-lhe uma última revisão. Passa-se em 1892-93, no pós-Ultimato, e é bastante animado, diz quem leu. Aguarda decisões. Estou a rever um romance de fantasia que escrevi há muitos anos e provavelmente permanecerá para sempre na gaveta, mas ao qual gosto de regressar ciclicamente porque gosto muito dele. E comecei um trabalho outro romence, que avança devagar porque é mais difícil de escrever, localizei-o na sua maioria em Moçâmedes, terra onde nasci mas da qual não me recordo, o que faz com que esteja mais perto de mim e ao mesmo tempo muito longe. Está a ser difícil encontrar a medida certa neste texto...

quarta-feira, 30 de Julho de 2014

"Sudoeste" - excerto com foto


Os contos que integram a obra "Sudoeste" levam-nos, como neste excerto, a viajar até uma das zonas mais bonitas do nosso país:

«- Estás errada em relação ao nosso irmão. Ele não é como o pai. - Numa manhã invernal de chuva intesa, a minha irmã viera-me buscar ao anexo, onde agora era mais fácil encontrar-me. Pegou em mim e meteu-me no jipe para levar-me à praia. Ficámos lá dentro a observar as vagas espumosas a vociferar, as nunvens densas e escuras a chorar sobre nós. Começou, assim, a falar do nosso irmão sem razão aparente.»

www.coolbooks.pt/sudoeste

sábado, 26 de Julho de 2014

Sobre a escrita de contos


Muito se pode dizer sobre a escrita de contos. Há quem diga que é um bom meio para um escritor começar, para se treinar para o romance. Há quem diga que é uma forma menor. Há quem diga, pelo contrário, que o conto é mais exigente, porque dispensa o supérfluo e porque obra a dizer em poucas palavras o que antes de outro modo se diria em muitas.
Uma coisa é o que se diz por aí, outra coisa é o que o autor sente quando escreve contos.
A maior parte das minhas ideias, mesmo que nunca as venha a desenvolver, são ideias para contos. Sei à partida que são contos porque logo na ideia reconheço a economia narrativa do texto que dali pode surgir.
Apesar disso, o conto não deixa de ser para mim um modo de treino e de aprendizagem. Se quero experimentar um certo tipo de narrador, por exemplo, mais vale experimentar em dois ou três contos do que partir para um romance. Mais vale três contos medíocres na gaveta que um romance, porque afinal, o conto até leva menos tempo a escrever.
Mas o conto é também uma forma de experimentalismo. Se quiser experimento fantasia, experimento. Se quiser experimentar terror, experimento. E por aí fora. Fazer experiências com romance não é tão prático, e certamente, menos divertido. E ser um contista esquisofrénico não me parece grande problema. Se for um romancista já não sei...

segunda-feira, 21 de Julho de 2014

"Caderno Vermelho" de Pedro Cipriano

Pedro Cipriano vai lançar o seu primeiro livro: "Caderno Vermelho."




Onde: Junta de Freguesia de Calvão
Quando: 26 de Julho de 2014 às 17:00,
inserido no aniversário da freguesia de Calvão


Disponível a partir de: 26 de Julho de 2014 
36 páginas


https://www.goodreads.com/book/show/22747043-caderno-vermelho?ac=1


Autor: Pedro Cipriano
Género: Poesia/Manifesto
Sinopse: Ao iniciar a viagem, o neófito nada entende, pois não consegue ver. Está cego e não o sabe. Os símbolos em que está imerso são como um livro, só o pode ler quem o souber decifrar. O conteúdo só está acessível a quem tem vontade e uma mente aberta.
A abertura de horizontes não é um processo reversível. Não é possível voltar a dormir depois de se ter acordado completamente, assim como não é possível voltar ao ventre materno depois de nascer.
Esta não é uma iniciação a uma ordem secreta, nem a nenhum clube de eleitos. É uma iniciação ao mundo real.

"Sudoeste" c/ fotos



«Cresci na companhia de minha mãe, uma irmã mais velha e um irmão mais novo. Nunca conheci o meu pai. Contaram-me as pessoas na aldeia, com maldade, ser um vagabundo que ali pousara apenas para me conceber, partindo em seguida, sem qualquer interesse em mim.
A minha mãe nada me contou a respeito dele. Em terra de praia havia muita gente só de passagem. Terá sido uma dessas pessoas. Ou então terá sido um marinheiro. Em criança, gostava de imaginar que ele era um marinheiro, em aventuras constantes no mar, na solidão e sofrimento, não imaginando sequer que eu existia e que poderia estar a pensar nele. Sempre quis acreditar que não fosse o pai dos meus irmãos, não havendo qualquer razão para que julgasse isso. Agradava-me. Nunca o conheci, mas sabia, e ficava feliz, por imaginar que podia não o partilhar com eles.»
Olinda P. Gil, "Sudoeste"
www.coolbooks.pt/sudoeste

sábado, 19 de Julho de 2014

Record de visitas no blog


Este é o panorama geral de visitas no blog, que mais uma vez atingiu o seu record!
Normalmente, a partir de junho começo a perder visitas (para a praia, só pode) e só volto a recuperá-las no outono!

terça-feira, 15 de Julho de 2014

Eu e os Ebooks - Guest post no blog de Rute Canhoto

A Rute convidou-me para escrever um textinho no blog dela. Passem por lá, leiam, dêem a vossa opinião. Fica aqui um excerto:

Contudo, a apresentação do livro é um momento importante, quase como que um ritual que declarasse o livro aberto às leituras. É um momento único em que o autor pode ter contacto directo com os seus leitores. Foi por isso que decidi estar presente na apresentação colectiva da Coolbooks.
O ebook é um produto ainda novo e desconhecido da maior parte dos leitores. Por isso, uma apresentação colectiva foi a melhor forma que a Coolbooks encontrou para dar a conhecer as obras. Sem um livro que as pessoas pudessem folhear e ler no local, restou-nos falar sobre o livro, como faríamos noutra apresentação qualquer, assim como responder a questões.

segunda-feira, 14 de Julho de 2014

Mais fotos do Alentejo

Post em especial para quem por aqui passa e me pede fotos inspiradoras do Alentejo...
Tirando a última foto, todas as outras foram tiradas aqui:
https://www.google.pt/maps/@37.861681,-8.231855,3a,75y,235.3h,74.51t/data=!3m4!1e1!3m2!1ssvHCTd0NflXlSSoUVqlVAA!2e0?hl=pt-PT














domingo, 13 de Julho de 2014

Dieta Neolítica



Nos tempos antigos, na altura em que os grandes caçadores se tornaram pastores e os últimos recolectores agricultores, houve um grupo de pessoas que decidiu criar uma dieta a partir de pedras.
A primeira parte do grupo desistiu depois de partir os dentes. A segunda parte morreu de fome.

Post tardio sobre a Granta 2






Na Granta 2 portuguesa, "Poder", vem um texto de Ana Teresa Pereira, "Have a Heart", que me fascinou, como me sempre fascinam os seus textos. Repleto de influências cinematográficas e literárias, mais ainda que o habitual na autora. Desta vez decidi ir em busca das referências. Foi difícil, pois policiais antigos série B não abundam em bibliotecas e videoclubes. Vi uns 2 ou 3 filmes que ela refere, li um livro de Woolrick, um dos autores também referido. Depois decidi reler o texto.
E foi tudo tão mais claro, tão mais denso, tão mais poético. Aquela mulher, Marisa, que costuma aparecer nos textos de Ana Teresa Pereira está ali naqueles filmes, faz caminhadas em dias de nevoeiro e corre o risco de ser atacada por feras. E Tom talvez seja o polícia bom, ou o detective desiludido com a vida, sempre pronto a ajudá-la.

domingo, 6 de Julho de 2014

Sophia e o Panteão





Já alguma vez foram ao Panteão Nacional? Eu uma vez decidi que haveria de ir. Foi nos meus tempos de Faculdade. Estava um dia de calor, era o final do segundo semestre. Se não me engano, tinha feito um exame qualquer e aquele foi o passeio eleito para desanuviar a cabeça. Sei que apanhei um eléctrico, andei às voltas pela rua, passei por debaixo de um arco e, por fim, lá encontrei o edifício. Tenho algumas memórias desse dia que são vagas. Outras estão bem presentes.
O edifício fez-me lembrar, de alguma forma, os Invalides, que já tinha visitado em Paris. Para além das semelhanças arquitectónicas em ambos os edifícios experimentei sentimentos negativos, que não sei explicar, mas que estão entre a aflição, claustrofobia, sensação de vazio ou de nada, sensação de abandono.
No dia em que visitei o panteão tive acesso ao terraço, esse sim o único lugar do edifício que me pareceu aprazível. De facto, a vista lá de cima é soberba. Não sei se é costume ter-se acesso a este local, se foi sorte a minha, por ser a única visitante naquele momento.
O Panteão Nacional é a Igreja de Santa Engrácia. Não é coincidência com o nosso dizer “as obras de Santa Engrácia”, pois é mesmo da demora na sua construção que nasceu a expressão.
É neste local de mau início que está Sophia, em conjunto com Amália Rodrigues e outras personalidades. Quem conhece a obra de Sophia sabe perfeitamente o quanto está longe dos sentimentos transmitidos pelo edifício.
Pergunto: é algum castigo por se ser uma personalidade de destaque da cultura portuguesa? Porque a ida para o panteão parece um castigo, deixando o morto afastados dos seus lugares, dos seus familiares.

Quando eu morrer voltarei para buscar. Os instantes que não vivi junto do mar

Pois eu acho que se devia respeitar a vontade dos mortos.

domingo, 29 de Junho de 2014

Apresentação do livro "27 acrobacias sobre (quase) a mesma coisa"


Este livro foi resultado de um projecto relacionado com a Igualdade de Género promovido pela Esdime - Agência para o Desenvolvimento Local no Alentejo Sudoeste.

Convidaram-me a participar neste obra, em conjunto com outros autores e com ilustradores. Fiquei muito feliz pelo convite, mas não precisei de escrever um conto propositadamente para aqui. Na verdade, eu tinha um conto escrito em 2011 que se adequava perfeitamente a esta temática, e que estava na gaveta à espera de uma oportunidade.

O meu texto é O Livro de Cassandra, texto com inspirações bíblicas e Homéricas. Como ilustradora tive novamente a oportunidade de trabalhar com a Claudia Banza.

O resultado final é um livro cheio de diferentes histórias, diferentes perspectivas e ilustrações muito bonitas.