terça-feira, 22 de Abril de 2014

Diálogo na caixa de correio #35

fonte: MALONE meurt



Diálogo na caixa de correio #35: Tenho lido a maioria dos artigos publicados no El País sobre o García Márquez. Dá para perceber, por contraste, o pudor anglo-americano em falar dele, com excepção de meia dúzia de escritores (mas os leitores do Guardian revelaram-se apaixonados e conhecedores). Um autor que de facto revela uma clivagem entre mundos, literários e não apenas. No mundo hispânico, é apresentado como o Cervantes do século XX. Os anglos preferem o Borges e por isso calam-se, até porque, como sempre, o desconhecem, na sua maioria. 



E mostram outra coisa, que me impressiona desde que li as memórias do Ruben Darío: a forma como na hispano-América os escritores circulam entre os vários países, num cosmopolitismo interno (e que, em grande parte, dispensa a Espanha) que faz daquelas nações, por um instante, uma única pátria (bolivariana). 

A Chama do Vento de Carla M. Soares

E pronto, cá está...:


Cá está ele. Depois do Alma Rebelde em papel, o A Chama ao Vento apenas em e-book. Coisas dos tempos modernos, para os senhores e senhoras que aderiram à leitura digital.


Se alguém viu o jornal da noite da SIC, sabe que a chancela Coolbooks é nova e é da Porto Editora, que é exclusivamente digital, e por enquanto apenas para PC, Tablets e Smartphones. Sim, é isso. E que tenciona editar novos autores, mesmo quando esses autores até já publicaram com a PE. 

Está disponível AQUI, com 50% de promoção de lançamento, até 25 de Abril.

Descobre-se a capa e a sinopse, aguardam-se ansiosamente as opiniões...

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Sinopse
Um corpo anónimo é lançado à água num misterioso voo noturno sobre o Atlântico…



Vivem-se os anos mais negros da Segunda Guerra Mundial, e a vida brilha com a força e a fragilidade de uma chama ao vento. Na Lisboa de espiões e fugitivos dos anos 40, João Lopes apresenta à sua amiga Carmo um estrangeiro mais velho, homem de segredos e intenções obscuras que depressa a seduz, atraindo os dois jovens para uma teia de mistérios e paixões de consequências imprevistas.


Anos volvidos, Francisco, jornalista, homem inquieto, pouco sabe de si próprio e menos ainda de Carmo, a avó silenciosa que o criou, chama apagada de outros tempos. É João Lopes quem promete trazer-lhe a sua história inesperada, história da família e dos passados perdidos nos tempos revoltos da Segunda Grande Guerra e da Revolução de Abril. Para João, é uma história há muito devida. Para Francisco, o derrubar dos muros que ergueu em torno da memória e da própria vida.

Um retrato íntimo de Portugal em três gerações, pela talentosa escritora de Alma Rebelde.

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Na wook com um preço muito simpático até dia 25

http://www.wook.pt/ficha/sudoeste/a/id/15672045
(Clicar na imagem)

segunda-feira, 21 de Abril de 2014

Sudoeste - o ebook

Sinopse:
O mesmo mar, a mesma casa. Talvez a mesma história e a mesma mulher que nela vive. Ou três histórias diferentes de três mulheres diferentes que viveram na mesma casa.

Sudoeste traz-nos três histórias distintas, como que variações de um mesmo tema.

Em todas elas está presente o mesmo ambiente marítimo, um envolvimento amoroso, uma personagem com «o chamamento do mundo». Todas as histórias se passam na mesma casa, na mesma quinta, na mesma praia, na mesma falésia. As próprias personagens vão tendo pequenas variações. Contudo, os contos são muito diferentes; cada um oferece-nos uma perspetiva distinta de como se pode viver o amor e o desejo de partir: do sentimento mais puro e simples à capacidade de começar tudo de novo.
Disponível para compra em:

domingo, 20 de Abril de 2014

Tiago Bettencourt - O lugar

Como promover um livro?

Baseado na minha experiência


Registo para outros e para mim (uso em futuro próximo). A partir de directrizes existentes na internet e com base na minha experiência.

Ainda não tens o teu livro preparado? Aliás, ainda o estás a escrever? Só tens uns poemas soltos ou umas pequenas narrativas? Não há problema, pois o primeiro passo é:

1) Dar a conhecer o teu trabalho. A melhor e mais simples forma de dares a conhecer o teu trabalho é criares um blog. Podes colocar lá poemas teus, pequenas histórias, crónicas, excertos da obra que escreveste (ou ainda estás a escrever), (continua no próximo ponto)  
2) Textos sobre o que escreves. Dificuldades que sentes, coisas boas que te acontecem, feedbacks que tiveste, informações sobre lançamentos, etc). No teu blog podes colocar ainda mais coisas. Coloca as músicas que gostas, fala de outros escritores, de ilustradores, reflecte sobre artigos ou notícias que te inspiram. Porque o próximo passo é:
3) Dares-te a conhecer. Para isto não te esqueças de:
4) Seres tu próprio, de
5) Ser simpático. Aproveita para promover outros, não só escritores, mas também músicos, ilustradores, etc.
6) Interagir. Responde aos comentários do teu blog, visita e comenta blogs de outros, inventa actividades que te tragam ao blog leitores.
7) Constrói relações com bloggers de livros. Mais tarde ser-te-ão úteis. Se não te conhecerem depois será difícil estar a pedir opiniões.
8) Usa os media sociais com tento e medida. Aproveita para partilhar os teus textos e encontrares leitores. Partilhar outras coisas que não sejam só os teus textos e os teus livros, ajuda a promover outros autores, não aborreças os seguidores com constantes publicações sobre a venda dos teus livros. Cuidado: não procrastinar, não usar todos os medias sociais, não usar aplicações que publiquem por ti (por exemplo, o buffer ou o networketblogs). De resto, faz o mesmo que no blog: sê tu próprio, sê simpático, interage, contrói relações. Usa hastags.
9) Profissionalismo. Escrever é o teu negócio, afinal, se não fosse não valeria a pena tanto trabalho nem estarias a ler este artigo. Tudo tem de ter um aspecto profissional: o teu blog, as tuas páginas nos media sociais, e até a fotografia com que te apresentas. Age também com profissionalismo e decência.
10) Torna-te num especialista dentro da temática do teu livro. Não é preciso seres doutorado ou o maior expert do assunto, mas convém que saibas do que estás a falar. Não vais fazer um livro de dietas se não entenderes nada de nutricionismo, pois não? Então, porque hás-de escrever fantasia urbana se não percebes nada do assunto? Lê muito, conhece autores, conhece mais que o mundo literário anglo-saxónico, e se o teu género permitir, lê textos teóricos. (ver)
11) Identificar a tua audiência. Este ponto é dos mais difíceis, mas se tiveres feito o trabalho de casa (isto é, os pontos anteriores) podes ter a tarefa facilitada. O objectivo de identificar a tua audiência é depois entrarem em contacto para promover o teu trabalho. Procura blogs, grupos do facebook, descobre onde as pessoas se encontram, vai lá ter. Atenção a um aspecto: a tua audiência pode não estar na internet. E aí é mais difícil e não vale a pena todo o esforço de promoção online.
12) Ler sobre marketing. Porque nunca é tarde demais para isso. Lê em blogs e redes sociais. Lê em livros. Vê o que os outros dizem sobre isto. O saber não ocupa lugar.
13) Ir a eventos. É bom ir a eventos dentro do género em que se escreve, bem como encontros de escritores, bloggers, lançamentos de livros, festivais de literatura, conferências, etc. Vais conhecer leitores, outros escritores, pessoas bem colocadas. Pode sempre surgir destes contactos convites para colaboração em qualquer sítio (num blog, numa colectânea, etc). O contacto real, físico, é muito importante. Estes eventos são boas oportunidades para conhecer pessoalmente pessoas com que já contactavas através da internet, pois só depois de nos conhecermos pessoalmente é que as relações se podem aprofundar.
14) Escrever textos/artigos por aí. (Guest Posts, Revistas Literárias Online, Blogs/Sites da especialidade). É sem dúvida algo que pode trazer visibilidade ao teu trabalho e ao teu blog, que prestigia, que te dá conhecimento. Mas há que ter em atenção uma coisa: há poucos adeptos do Guest Post em Portugal, não proliferam revistas/jornais online e sites da especialidade (neste caso, de literatura). Se quiseres dar um pezinho no Brasil já terás mais sorte.
Pode parecer frustrante que este ponto nos garanta pouco feedback, mas depois, quando chegares à altura de colocares o livro cá fora irá ajudar (pois, ao fazeres currículo é mais fácil que te dêem atenção no ponto 27).
Se já tiveres o livro editado procura sempre incluir um link para o teu livro.

Já escreveste o livro? Se ainda não, então escreve! Estás com dificuldade? Há muita informação na internet que te pode ajudar.
Depois revê muitas vezes. Dá o texto a ler. Aceita opiniões, descarta opiniões. Revê outra vez. No final pede ajuda para te verem erros/gralhas de ortografia, gramática e formatação.
Quando chegares à altura do livro tens várias hipóteses:
- Editora
- Autopublicação (Printing on Demand e Tradicional - numa tipografia).
- Vanity Press
Informa-te bem. Seja qual for a hipótese que escolheres o que interessa é que seja uma escolha consciente.
Se optares por enviar um texto a uma editora (e esperar que ela aceite) tem em conta se o texto é comercial. Se não for eles não publicam. Procura também editoras que tenham a ver com o teu trabalho. Não vale a pena enviar um livro de poesia para uma editora de livros de receitas. E atenção a uma coisa: não faças caso de quem não percebe nada do assunto, mesmo que sejam as pessoas que mais amas neste mundo.
Para a editora envia o texto bem formatado (nada do tipo de letra comic), bem revisto.
É bem importante que envies um resumo (nada de sinopse de contracapa) que seja informativo e atraente.
Inclui também uma nota biográfica em que fales do teu percurso literário (prémios, participação em antologias, publicações em jornais e revistas, mesmo que online podem aqui ser importantes) e os teus contactos. Aqui podes por à vontade o teu telefone de casa.
Só para que vos diga, o meu editor confessou-me que o resumo que lhe apresentei o levou a ler e a escolher o livro. Portanto, isto é mesmo importante, visto que as secretárias dos editores estão cheias de originais.

A partir  daqui muitos pontos poderão não fazer sentido devido ao tipo de publicação por que optaste.

15) Começa a publicitar o livro antes de sair. Assim vais conseguir chamar à atenção duas vezes: quando começas a publicitar e aquando do lançamento.
16) Estabelece um orçamento. Quanto pretendes gastar com a edição? Quanto pretendes gastar em publicidade?
17) Biografia cativante. Cuidado para não cair em futilidades e infantilidades.
18) Sinopse. Agora já não é sinopse para o editor, mas sim para o leitor. Tem de ser menos resumo, menos técnico e mais misteriosa.
19) Capa que venda. É sem dúvida importante nos dias que correm, apesar de, para mim, preferir as capas de edição de autor do Miguel Torga... Procurem na net, há dicas do que fazer, do que evitar, do que é cliché...
20) Adicionar "contacte o autor" no final do livro. Pode trazer-nos leitores, pode trazer-nos spam. O melhor é indicar o endereço web, endereço no Goodreads ou página de autor no Facebook. O e-mail pode trazer dissabores. E muito menos o nosso telefone ou endereço! O nosso blog pode ser incluído na nossa biografia: "escreve habitualmente em xxx".
21) Criar um booktrailer. O impacto visual é muito importante. Foi das coisas que mais consegui que dessem atenção nas redes sociais e que mais partilharam.
22) Criar kit promocional. Juntar material que possas usar na promoção do teu livro: gráficos, imagens, links, excertos que possas partilhar, enviar para bloggers, incluir na Press Release, enviar para os sítios onde vais fazer as tuas apresentações, etc.
23) Marcar o lançamento do livro e apresentações. O lançamento, assim como apresentações do teu livro, podem ser momentos de interacção com leitores, que dão a conhecer o autor e a obra. Nas dicas que por aí encontrei aconselhavam que se marcasse o lançamento numa data que coincidisse com um evento importante que pudesse trazer pessoas ao lançamento. Uma feira do livro ou um festival literário podem ser boas oportunidade, apesar de não vos poder falar dessa experiência.
Houve um autor que me chamou à atenção para uma coisa: não vale a pena marcar apresentações em locais em que as pessoas não vão a lançamentos/apresentações. É triste apresentar o livro para 3 pessoas e os 3 livros que se vão vender não compensam a deslocação.
24) Pre Advanced Readers. Foi uma experiência que fiz e deu resultado. Deu mais resultado que depois, quando voltei a pedir opiniões sinceras no meu blog. Talvez nos PAR's eu tenha esgotado, desde logo, quase todos os opinadores disponíveis.
Procurei os PAR's colocando esse pedido no meu blog e nas minhas redes sociais. Houve pessoas que difundiram nos seus blogs e redes sociais, o que ajudou. Também contactei directamente bloggers, mas aqui a aceitação foi menor.
As opiniões dos PAR's ajudaram muito à divulgação do livro, a tornarem-nos conhecido e a suscitarem curiosidade nos leitores. O facto de ter aquele conjunto de opiniões ajudou-me a que os media regionais tomassem atenção ao livro, assim como nalguns locais onde solicitei a apresentação do livro.
25) Material Publicitário (marcadores de livros e essas coisas). Não investi nisso, apesar de saber que existe por aí quem goste de coleccionar este tipo de material. Ainda falei com a ilustradora, para ela fazer marcadores de livros e postais para venda e lucro dela, mas ela disse-me, e bem, que as pessoas querem essas coisas dadas.
26) Press Release. Eu fiz esta experiência enviando informação sobre o livro da minha lista de e-mail. Não recebi qualquer aviso no sentido de sentirem que o seu e-mail tinha sido alvo de publicidade. Mesmo assim houve uma pessoa que me quis comprar o livro. Também enviei para um ou dois contactos dos media regionais e isso valeu muito a pena, pois noticiaram o livro, notícia que foi replicada por outros media regionais. Para a próxima fica a nota que vale mesmo a pena isto. Press Release para tudo quanto for jornal, rádio, etc. da região. Também vale a pena enviar para as bibliotecas ou outros locais onde queiram vir a fazer apresentações, assim como que um aviso prévio para se habituarem à ideia que o livro existe.
Foi-me dito que contactar jornais/jornalistas, rádios nacionais é boa idéia, enviando um exemplar do livro. Para uma autopublicação sai caro. Será que aceitam versão digital?
Esta informação deve ser enviada também para os sites de especialidade.
27) Obter (re)conhecimento dos media. Ora aqui está algo que não é fácil, especialmente no que toca a media nacionais. Menos difíceis são os regionais. Há que captar a sua atenção. Uma Press Release ajuda, mas não cria relação. Noticiarem o teu lançamento não é relação nenhuma ainda. Aproveita todas as oportunidades, Envia textos para os correios de leitores, participa em todos os passatempos que envolvem a escrita, participa em todas as oportunidades de escrita abertas ao público. Partilha nas redes sociais publicações desses jornais, dessas rádios. Faz referências no teu blog. Oferece-te para colaborares com eles. Pode ser que ao fim de 10 anos descubram que existes.

Já tens o livro cá fora, já fizeste o lançamento, mas há-que continuar a promovê-lo!

28) Inclui informação na tua assinatura de e-mail. Colocar na assinatura do teu e-mail link de informação na tua página/blog ou link para uma página de informação sobre o teu livro.
29) Fácil de comprar. Ora aqui está algo que me está a ser difícil realizar com o livro que autopubliquei, pois sou eu a vender o livro e quem quiser terá de o encomendar a mim.
Um bom sistema é o da Amazon, mas é Printing on Demand. Podem optar por uma POD portuguesa, como a Euedito. Para quem, como eu, fez uma autopublicação tradicional, recorrendo a uma tipografia, esta opção só será viável depois de esgotar os meus exemplares.
Outra opção é calcorrear livrarias e tentar que ponham o livro à venda. Conheço uma pessoa que fez isto, mas pessoalmente penso que é um esforço demasiado grande.
30) Promover o livro gratuitamente. É preciso ter cuidado com este ponto: faz pouco sentido estarmos a oferecer o nosso trabalho; não somos escravos literários! Contudo, podemos seleccionar meia dúzia de pessoas a quem oferecemos um livro em troca de uma opinião sincera. E até podemos usar para este fim a versão em ebook do nosso livro, em vez de o estar a oferecer em papel (caso tenha sido publicado em papel). Para aliciar leitores talvez também não seja má ideia oferecer pequenas coisas. Por exemplo, deixar nos nossos blogs ou páginas pessoais pequenos contos, poemas ou pequenas narrativas de vez em quando. Disponibilizar contos para descarregar. Mas sempre com tento e medida. Não oferecer e desbaratar por aí...
31) Giveaways. Sinto que foi um dos aspectos que me ajudou na promoção do livro. Está certo que as giveaways têm o seu custo, não sejamos inocentes quanto a isto. Mas graças às giveaways já recebi opiniões inesperadas em blogs e, nos comentários às opiniões, encontrei pessoas interessadas.
32) Promoções. Faz promoções temporárias ao teu livro.
33) Criar urgência. Coloca limites de tempo nas promoções e giveaways, pois ajudam à venda do produto.
34) Participar e/ou organizar blog tours, blog hot's ou sharing contest. Tive um pouco de dificuldade nisto. Digamos que, apesar de haver muitos blogs de livros em Portugal a maioria reproduz os Press Release das editoras e pouco mais. E, na verdade, aqueles que participaram logo nos PAR's eram aqueles mais interessados neste tipo de situações e depois poucos sobraram para o blog tour. Contudo lembrei-me de algo que poderia funcionar: oferecer o ebook para o blog tour e sortear um exemplar em papel entre os participantes.
35) Temporizar. Temporizar e coordenar promoções. Tentar temporizar guest post's, entrevistas, giveaways.
36) Participar/criar hangout's - gooogle ou skype. Creio que isto só poderá dar resultado se já houver uma mão cheia de seguidores dos nossos escritos. Uma coisa que tenho pensado muito é em gravar a leitura de alguns dos contos que têm sido os preferidos dos leitores e colocar no youtube.
37) Participar num podcast/videocast. É como os guest post ou como as opiniões que pedimos a bloggers. É preciso encontrar alguém disponível.
38) Tentar os leitores com mais. Este ponto só dá resultado se, de facto, já tiveres leitores. E também se tiveres material que lhes possas oferecer. É importante que fales um pouco no blog e nas redes sociais dos teus próximos projectos, mas mesmo isso não é garantia de sucesso. Assim como disponibilizar textos, excertos, etc no teu blog e nas redes sociais. Falo por mim. Tenho lá contos e pequenos contos e os seus leitores não são propriamente os leitores de "Contos Breves".
39) Em cada livro que publicar falar do anterior. Para mim não é válido, porque só publiquei um, e o próximo que vou publicar não vai ser em auto-edição. Para quem publicar em diferentes editoras também não é válido. Só é válido para quem publicar vários livros em autoedição.

Por fim deixo-vos com duas máximas que por aí vi, e qualquer uma delas pode dar origem a muitas reflexões:

40) Não pares de promover um livro para escrever outro;
41) Não penses na publicação do teu livro como um fim, mas como um começo. 


Sylvia Plath (From the 2003 film Sylvia)





“I saw my life branching out before me like the
green fig tree in the story. From the tip of every branch, like a fat
purple fig, a wonderful future beckoned and winked. One fig was a
husband and a happy home and children, and another fig was a famous poet
and another fig was a brilliant professor, and another fig was Ee Gee,
the amazing editor, and another fig was Europe and Africa and South
America, and another fig was Constantin and Socrates and Attila and a
pack of other lovers with queer names and offbeat professions, and
another fig was an Olympic lady crew champion, and beyond and above
these figs were many more figs I couldn't quite make out. I saw myself
sitting in the crotch of this fig tree, starving to death, just because I
couldn't make up my mind which of the figs I would choose. I wanted
each and every one of them, but choosing one meant losing all the rest,
and, as I sat there, unable to decide, the figs began to wrinkle and go
black, and, one by one, they plopped to the ground at my feet.” 


Sylvia Plath,

The Bell Jar 

sábado, 19 de Abril de 2014

Leitores: Pedro Cipriano


Para a nossa rubrica do blog, leitores, convidámos o blogger, leitor Pedro Cipriano para responder às nossas perguntas. O Pedro mostra as suas leituras no seu blog.


Que sentimentos procuras que um livro te deixe?
Eu procuro num livro algo de novo. Uma experiência nunca antes vivida, que me desamarre do mundo real e me leve para um universo mais ou menos fantástico. Procuro que me envolva e que crie empatia com as personagens, que as faça amar ou odiar mas, sobretudo, que não me deixe indiferente. Não me preocupo muito com géneros nem etiquetas. Em suma, procuro um livro que me apaixone!

A leitura, para ti, é uma companhia, um escape, uma busca pelo mundo sem sair de casa ou tudo isto?
A leitura é uma necessidade. Como um daqueles hábitos diários, tal como comer ou dormir. Os bons livros acabam por ser uma companhia, um refúgio e uma viagem à volta de um mundo, em que não interessa se esse mundo existe realmente ou não. Um livro acaba por ser isso tudo e muito mais...

Quando fores velhinho/a e já não vires bem as letras o que vais fazer à tua vida de leitor/a?
Que pergunta tão difícil! Acho que vou ter que deixar os meus livros em papel e aderir a essas modernices, como os audiobooks e isso. Isto é se não ficar surdo no entretanto...
 

Livro sem ninguém


Novo preço de "Contos Breves"

O ebook de "Contos Breves" com novo preço, permanente. 2,80$ (algo como 1,99€). Aqui.

terça-feira, 15 de Abril de 2014

Leitores: Gabi (Dona Redonda)






Para a nossa rubrica do blog, leitores, convidámos a blogger, leitora Gabi para responder às nossas perguntas. A Gabi mostra as suas leituras no blog Dona-Redonda.



Que sentimentos procuras que um livro te deixe?
Gosto de ler e descobrir livros diferentes e assim também procuro sentimentos diferentes: empatia com os personagens, sentir que vivi em parte o que li. 

A leitura, para ti, é uma companhia, um escape, uma busca pelo mundo sem sair de casa ou tudo isto? 
Tudo isto sem dúvida e mais ainda. É também uma forma de aprender, matéria para sonhos, uma ligação com quem já leu ou está a ler um mesmo livro, a ocupação para um tempo de espera.

Quando fores velhinho/a e já não vires bem as letras o que vais fazer à tua vida de leitor/a?
Arranjar melhores lentes, recorrer a livros-audio - se também ouvir mal poderá ser um problema...


sexta-feira, 11 de Abril de 2014

O Circo Invisível


Porque gostei muito do "Brutamontes"
e porque já ouvi dizer muito bem deste.

terça-feira, 8 de Abril de 2014

Podia ser só o amor

Ilustração de Cláudia Banza

Podia ser só o amor, ou podia não ser. Poderia ser só um sonho. Poderia ser apenas um homem e uma mulher que se amassem, mas havia algo de impossível nisto tudo, tendo em conta que o cabelo dela parecia flutuar.
Não era um pormenor de somenos, pois os cabelos não flutuam. Era sem dúvida a prova da sua loucura. Mais uma. Como os cavalos alados que se encontravam a pastar junto ao parque das crianças. Sabia que aquela mulher de cabelo flutuante não existia, que era fruto da sua mente louca. Mas no fundo não queria saber disso para nada. Essa informação só servia para que soubesse que não poderia falar daquela mulher a ninguém. Assim como não podia falar dos cavalos alados ou dos pássaros mordedores. (Também havia uns pássaros mordedores). Ou então ainda poderia ir parar ao hospício.
E no hospício sabia que aquela mulher de cabelo flutuante nunca iria aparecer.
Interessava-lhe apenas quando a encontrava. Os seus lábios delicados que deixava beijar. Do seu olhar meigo, do seu corpo tenro. Poucas palavras trocavam, mas sabia que se amavam. E havia muitas carícias, e muito sexo. Em todos os lugares. Já tinha sido em sua casa, mas também no cinema, no comboio, no elevador...
Que interessava agora que estivesse louco e que a mulher de cabelos flutuantes fizesse parte da sua demência? O que interessava mesmo era que se amavam.

segunda-feira, 7 de Abril de 2014

No Lar

Tinha entrado no lar de 3ª idade naquele dia. Antes não queria, há uns tempos atrás. Quando ainda não precisava de ajuda para se levantar de uma cadeira. E outras coisas mais, que não valia a pena estar para a ali a enumerar maleitas. Agora conformou-se com a ida para o lar. Afinal a sua vida era do quarto da cama para a sala, levada por alguém que lhe escolhia o canal de televisão. A casa era pequena, e, em comparação com o espaço amplo do lar apercebeu-se que, afinal, tinha estado presa na sua própria casa. Havia quantas semanas que não via a rua? Tinha sido num dia chuvoso, em que a levaram ao médico. Há quanto tempo que não podia apanhar uma laranja de uma árvore e saboreá-la deixando escorrer o sumo dos lábios?
Naquela noite, depois do jantar, levaram-na para a varanda. Puseram-lhe uma manta sobre o corpo e pode apreciar os cheiros do jardim. Lá dentro, colegas seus (afinal conhecia-os a todos) cantavam cantigas dos seus tempos de juventude. Depois voltaram a trazê-la para dentro. Ia ver televisão, era hora das notícias, trar-lhe-iam chá e bolachas. Sentia-se a fazer serão. Há quantos meses se deitava às seis da tarde? Durante quantos meses ficara a dormir até às 11h00 porque ninguém se atrevia a acordá-la, a incomodá-la. Sabia que às vezes se portava como uma criança, e que ia ter regras ali. Mas acabou por almoçar e jantar bem, ao contrário do que costumava fazer. Afinal, o lar não era tão mau quanto pensava.

domingo, 6 de Abril de 2014

O cinema imaginado

Ilustração de Camie C. M. Elias

Gosto de imaginar o cinema onde não iria sozinho. Diferente daquele onde costumo ir, um prédio alto, de traçado antigo, onde filmes negros só passam depois do sol se pôr, depois da cidade começar a ficar vazia de pessoas com vida, dando lugar aos solitários, como eu.
Gosto de imaginar um cinema onde gostaria de te levar, memória dos meus sonhos. Um cinema em campo aberto, onde poderíamos ver muitas comédias em tardes frescas de primavera, onde te poderia passar o braço pelos ombros e beijar as tuas madeixas.
Vi-te um destes dias. Passaste a passadeira à pressa, olhando sempre para trás, assustada. Não me viste e passei mais uma noite sozinho.