sábado, 26 de Julho de 2014

Sobre a escrita de contos


Muito se pode dizer sobre a escrita de contos. Há quem diga que é um bom meio para um escritor começar, para se treinar para o romance. Há quem diga que é uma forma menor. Há quem diga, pelo contrário, que o conto é mais exigente, porque dispensa o supérfluo e porque obra a dizer em poucas palavras o que antes de outro modo se diria em muitas.
Uma coisa é o que se diz por aí, outra coisa é o que o autor sente quando escreve contos.
A maior parte das minhas ideias, mesmo que nunca as venha a desenvolver, são ideias para contos. Sei à partida que são contos porque logo na ideia reconheço a economia narrativa do texto que dali pode surgir.
Apesar disso, o conto não deixa de ser para mim um modo de treino e de aprendizagem. Se quero experimentar um certo tipo de narrador, por exemplo, mais vale experimentar em dois ou três contos do que partir para um romance. Mais vale três contos medíocres na gaveta que um romance, porque afinal, o conto até leva menos tempo a escrever.
Mas o conto é também uma forma de experimentalismo. Se quiser experimento fantasia, experimento. Se quiser experimentar terror, experimento. E por aí fora. Fazer experiências com romance não é tão prático, e certamente, menos divertido. E ser um contista esquisofrénico não me parece grande problema. Se for um romancista já não sei...

segunda-feira, 21 de Julho de 2014

"Caderno Vermelho" de Pedro Cipriano

Pedro Cipriano vai lançar o seu primeiro livro: "Caderno Vermelho."




Onde: Junta de Freguesia de Calvão
Quando: 26 de Julho de 2014 às 17:00,
inserido no aniversário da freguesia de Calvão


Disponível a partir de: 26 de Julho de 2014 
36 páginas


https://www.goodreads.com/book/show/22747043-caderno-vermelho?ac=1


Autor: Pedro Cipriano
Género: Poesia/Manifesto
Sinopse: Ao iniciar a viagem, o neófito nada entende, pois não consegue ver. Está cego e não o sabe. Os símbolos em que está imerso são como um livro, só o pode ler quem o souber decifrar. O conteúdo só está acessível a quem tem vontade e uma mente aberta.
A abertura de horizontes não é um processo reversível. Não é possível voltar a dormir depois de se ter acordado completamente, assim como não é possível voltar ao ventre materno depois de nascer.
Esta não é uma iniciação a uma ordem secreta, nem a nenhum clube de eleitos. É uma iniciação ao mundo real.

"Sudoeste" c/ fotos



«Cresci na companhia de minha mãe, uma irmã mais velha e um irmão mais novo. Nunca conheci o meu pai. Contaram-me as pessoas na aldeia, com maldade, ser um vagabundo que ali pousara apenas para me conceber, partindo em seguida, sem qualquer interesse em mim.
A minha mãe nada me contou a respeito dele. Em terra de praia havia muita gente só de passagem. Terá sido uma dessas pessoas. Ou então terá sido um marinheiro. Em criança, gostava de imaginar que ele era um marinheiro, em aventuras constantes no mar, na solidão e sofrimento, não imaginando sequer que eu existia e que poderia estar a pensar nele. Sempre quis acreditar que não fosse o pai dos meus irmãos, não havendo qualquer razão para que julgasse isso. Agradava-me. Nunca o conheci, mas sabia, e ficava feliz, por imaginar que podia não o partilhar com eles.»
Olinda P. Gil, "Sudoeste"
www.coolbooks.pt/sudoeste

sábado, 19 de Julho de 2014

Record de visitas no blog


Este é o panorama geral de visitas no blog, que mais uma vez atingiu o seu record!
Normalmente, a partir de junho começo a perder visitas (para a praia, só pode) e só volto a recuperá-las no outono!

terça-feira, 15 de Julho de 2014

Eu e os Ebooks - Guest post no blog de Rute Canhoto

A Rute convidou-me para escrever um textinho no blog dela. Passem por lá, leiam, dêem a vossa opinião. Fica aqui um excerto:

Contudo, a apresentação do livro é um momento importante, quase como que um ritual que declarasse o livro aberto às leituras. É um momento único em que o autor pode ter contacto directo com os seus leitores. Foi por isso que decidi estar presente na apresentação colectiva da Coolbooks.
O ebook é um produto ainda novo e desconhecido da maior parte dos leitores. Por isso, uma apresentação colectiva foi a melhor forma que a Coolbooks encontrou para dar a conhecer as obras. Sem um livro que as pessoas pudessem folhear e ler no local, restou-nos falar sobre o livro, como faríamos noutra apresentação qualquer, assim como responder a questões.

segunda-feira, 14 de Julho de 2014

Mais fotos do Alentejo

Post em especial para quem por aqui passa e me pede fotos inspiradoras do Alentejo...
Tirando a última foto, todas as outras foram tiradas aqui:
https://www.google.pt/maps/@37.861681,-8.231855,3a,75y,235.3h,74.51t/data=!3m4!1e1!3m2!1ssvHCTd0NflXlSSoUVqlVAA!2e0?hl=pt-PT














domingo, 13 de Julho de 2014

Dieta Neolítica



Nos tempos antigos, na altura em que os grandes caçadores se tornaram pastores e os últimos recolectores agricultores, houve um grupo de pessoas que decidiu criar uma dieta a partir de pedras.
A primeira parte do grupo desistiu depois de partir os dentes. A segunda parte morreu de fome.

Post tardio sobre a Granta 2






Na Granta 2 portuguesa, "Poder", vem um texto de Ana Teresa Pereira, "Have a Heart", que me fascinou, como me sempre fascinam os seus textos. Repleto de influências cinematográficas e literárias, mais ainda que o habitual na autora. Desta vez decidi ir em busca das referências. Foi difícil, pois policiais antigos série B não abundam em bibliotecas e videoclubes. Vi uns 2 ou 3 filmes que ela refere, li um livro de Woolrick, um dos autores também referido. Depois decidi reler o texto.
E foi tudo tão mais claro, tão mais denso, tão mais poético. Aquela mulher, Marisa, que costuma aparecer nos textos de Ana Teresa Pereira está ali naqueles filmes, faz caminhadas em dias de nevoeiro e corre o risco de ser atacada por feras. E Tom talvez seja o polícia bom, ou o detective desiludido com a vida, sempre pronto a ajudá-la.

domingo, 6 de Julho de 2014

Sophia e o Panteão





Já alguma vez foram ao Panteão Nacional? Eu uma vez decidi que haveria de ir. Foi nos meus tempos de Faculdade. Estava um dia de calor, era o final do segundo semestre. Se não me engano, tinha feito um exame qualquer e aquele foi o passeio eleito para desanuviar a cabeça. Sei que apanhei um eléctrico, andei às voltas pela rua, passei por debaixo de um arco e, por fim, lá encontrei o edifício. Tenho algumas memórias desse dia que são vagas. Outras estão bem presentes.
O edifício fez-me lembrar, de alguma forma, os Invalides, que já tinha visitado em Paris. Para além das semelhanças arquitectónicas em ambos os edifícios experimentei sentimentos negativos, que não sei explicar, mas que estão entre a aflição, claustrofobia, sensação de vazio ou de nada, sensação de abandono.
No dia em que visitei o panteão tive acesso ao terraço, esse sim o único lugar do edifício que me pareceu aprazível. De facto, a vista lá de cima é soberba. Não sei se é costume ter-se acesso a este local, se foi sorte a minha, por ser a única visitante naquele momento.
O Panteão Nacional é a Igreja de Santa Engrácia. Não é coincidência com o nosso dizer “as obras de Santa Engrácia”, pois é mesmo da demora na sua construção que nasceu a expressão.
É neste local de mau início que está Sophia, em conjunto com Amália Rodrigues e outras personalidades. Quem conhece a obra de Sophia sabe perfeitamente o quanto está longe dos sentimentos transmitidos pelo edifício.
Pergunto: é algum castigo por se ser uma personalidade de destaque da cultura portuguesa? Porque a ida para o panteão parece um castigo, deixando o morto afastados dos seus lugares, dos seus familiares.

Quando eu morrer voltarei para buscar. Os instantes que não vivi junto do mar

Pois eu acho que se devia respeitar a vontade dos mortos.

domingo, 29 de Junho de 2014

Apresentação do livro "27 acrobacias sobre (quase) a mesma coisa"


Este livro foi resultado de um projecto relacionado com a Igualdade de Género promovido pela Esdime - Agência para o Desenvolvimento Local no Alentejo Sudoeste.

Convidaram-me a participar neste obra, em conjunto com outros autores e com ilustradores. Fiquei muito feliz pelo convite, mas não precisei de escrever um conto propositadamente para aqui. Na verdade, eu tinha um conto escrito em 2011 que se adequava perfeitamente a esta temática, e que estava na gaveta à espera de uma oportunidade.

O meu texto é O Livro de Cassandra, texto com inspirações bíblicas e Homéricas. Como ilustradora tive novamente a oportunidade de trabalhar com a Claudia Banza.

O resultado final é um livro cheio de diferentes histórias, diferentes perspectivas e ilustrações muito bonitas.



quarta-feira, 25 de Junho de 2014

Chimamanda Adichie: O perigo da história única





Vejam!

Apesar de ser sobre literatura, este vídeo é sobretudo sobre "O perigo da história única". Não é só perigoso para a nossa escrita, como é também perigoso para a nossa identidade, pessoal, regional, nacional...

Quantas vezes se conta só a mesma história dos portugueses? E quantas vezes somos nós mesmos sempre a repetir essa mesma história?

terça-feira, 24 de Junho de 2014

segunda-feira, 23 de Junho de 2014

"Um toque de..." Ana C. Nunes


Um toque de ...
Para já só está na Smashwords, mas brevemente também na Amazon, Kobo, iTunes, e outros.
Qualquer pessoa pode fazer o download do ebook e pode escolher se quer pagar (e quanto quer pagar) por ele, ou se o quer levar de graça. Estejam à vontade para experimentar gratuitamente e, depois, se gostarem, então fazerem, um pequeno donativo (0,50€ ou 1€ ou 5€, ou o que acharem justo).
Sempre quis experimentar este método de “cada um paga o que acha justo”.
Não se esqueçam de deixar as vossas opiniões, que são sempre bem-vindas!
Sinopse: O amor está presente em todo o tipo de gestos e acções.
No cuidado com que se evita tocar um assunto sensível; Na forma como se fica a ver o outro dormir; Numa coversa à beira mar; Num post-it colorido; Num lugar vazio no restaurante; Numas mãos entrelaçadas ao som das ondas; Num jantar fracassado; Numa noite solitária; Numa negação.
Mas nem sempre o amor resulta em felicidade …

domingo, 22 de Junho de 2014

27 acrobacias sobre (quase) a mesma coisa


27 acrobacias sobre (quase) a mesma coisa é uma colectânea onde participo. O lançamento é na próxima sexta-feira em Ourique.

A temática é a Igualdade de Género (aliás, a colectânea insere-se num projecto dentro do tema). Tive a oportunidade de trabalhar com amigos assim como com alguns nomes que já conhecia e de quem já tinha lido textos.

O meu texto é "O Livro de Cassandra", algo de inspiração bíblica. Tinha-o feito como experiência, gostei do resultado e depois veio a mostrar-se muito adequado para este projecto.
A ilustração do meu conto ficou à responsabilidade da Claudia Banza, com que já tinha trabalhado em Contos Breves.

Apresentação de "Sudoeste" e outras obras da Coolbooks

Na passada quinta-feira, ao final da tarde, teve lugar, no Instituto Camões, em Lisboa, a apresentação do meu ebook Sudoeste assim como de outras obras da Coolbooks.

Foi um momento muito interessante e muito agradável. Fiquei muito feliz de encontrar por ali casas conhecidas, de finalmente conhecer em pessoa a Carla M. Soares, e sorte a minha, também o Paulo M. Morais que esteve presente! Também foi bom conhecer os editores (simpatissíssimos), o pessoal da Porto Editora, conhecer outros autores, encetar contactos (afinal faz parte).

Deixo aqui algumas fotos, que não foram minhas, mas que estão disponíveis no facebook. Links nas legendas!
https://fbcdn-sphotos-c-a.akamaihd.net/hphotos-ak-xpa1/t1.0-9/q75/s720x720/10403012_728314157215214_6332487054758522052_n.jpg

https://scontent-a-lhr.xx.fbcdn.net/hphotos-xfp1/t1.0-9/10489777_1445768565673242_2210700154754634189_n.jpg

https://fbcdn-sphotos-b-a.akamaihd.net/hphotos-ak-xpf1/t1.0-9/p180x540/10484617_695004123869025_6023460970364155613_n.jpg

sexta-feira, 20 de Junho de 2014

Exílios

Exílios é um conjunto de textos que me tinha prometido a mim mesma que ia disponibilizar antes do verão de 2014. O verão é já amanhã e o texto está na Smashwords!

Sinopse: Exílios é um conjunto de pequenos textos escritos no período a seguir ao término dos meus estudos no Ensino Superior. Retratam os sentimentos vividos por mim na altura.
A publicação destes textos tão pessoais tornou-se imperativo uma vez que há cada vez mais jovens a viver situações semelhantes. Infelizmente estes textos continuam actuais.

Disponível na Smashwords 

Goodreads

sábado, 14 de Junho de 2014

Na sombra das palavras

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Título: Na sombra das palavras 
Autores: Ângelo Teodoro | David Camarinha | Fábio Ventura | João Ventura | Mário Seabra 
Disponível a partir de: 5 de Julho de 2014 
36 páginas | Versão em papel e digital

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Sinopse

“Na Sombra das Palavras” reúne cinco contos de autores portugueses, combinando thriller e fantástico em histórias de amor, memórias esquecidas e encontros com a Morte e Deus. As palavras transportam o leitor para labirintos, panópticos, livrarias e memórias longínquas. Com contos da autoria de Ângelo Teodoro, David Camarinha, Fábio Ventura, João Ventura e Mário Seabra.

Sobre os autores

Ângelo Teodoro nasceu em Torres Vedras, no ano de 1978. Licenciou-se em Psicologia, na área de clínica. Direccionou o seu percurso profissional para a área de formação e educação e coordenação de projectos de desenvolvimento local.

David Camarinha, nascido em 1986 em Vila Nova de Gaia, vive ainda na sua casa de infância, acompanhado dos quatro gatos e a cadela Luna. Licenciou-se em História no Porto e está a finalizar o Mestrado em Marketing em Aveiro. Prefere a leitura à escrita.

Fábio Ventura nasceu em 1986 em Portimão, onde vive e trabalha como livreiro. É autor dos livros “Orbias-As Guerreiras da Deusa” e “Orbias-O Demónio Branco”.

João Ventura gosta de escrever microcontos, mas às vezes saem-lhe estórias um pouco maiores... O que tem escrito está na Web e em algumas antologias... O seu terreno preferido é a área do fantástico, mas não se preocupa muito com rótulos.

Mário Coelho tem 23 anos, grande parte deles passados a rabiscar ideias em papel ou a martelá-las no teclado. Escapuliu-se por um portão e hoje dá sinal de vida em Coimbra, no mestrado de Tradução. Nos tempos livres gosta de se arrepender dessa decisão e de escrever romances em que bebés morrem.

Mais informações no site da Editorial Divergência

Estilhaços - You Are Welcome To Elsinore.wmv